Conheça a Vila:

A Vila é uma pequena cidade com características medievais, banhada pelo mar: calçadas de pedra iluminadas pela luz amarelada de lampiões pendurados em postes.

O povo da Vila vive mergulhado em uma escuridão eterna: é sempre noite na cidade.

A rua mais importante da cidade é a rua do Porto, que percorre a orla do mar de norte a sul. É lá que fica o píer de onde zarpam os navios.

No centro da cidade, a grande Praça dos Anciãos é um local de rico comércio, além de ponto de encontro do povo da Vila. Uma das extremidades da praça é delimitada pela maciça Casa dos Anciãos, local proibido para os cidadãos comuns.

Os limites da cidade (excetuando-se o mar) são marcados pela Cerca. Trata-se de uma pequena estrutura de madeira com menos de um metro de altura, que poderia ser transposta até mesmo por uma criança. Atravessar a Cerca, porém, é estritamente proibido pela Lei Anciã e a sua transgressão é considerada um dos crimes mais graves.

A Vila vive sob a rígida lei dos Anciãos: a cada seis meses um galeão deve partir para o Além-mar.

O ritmo da vida na Vila é ditado pelo zarpar dos navios. A maior parte dos habitantes está, de alguma forma, ligada ao esforço de erguer um navio a cada seis meses.

Os Anciãos governam a cidade com mão de ferro e prezam, acima de tudo, o respeito pelos bons costumes. Não há espaço para discussão e transgressores da lei e da ordem serão encaminhados à masmorra da Zeladoria pelos Capacetes Escuros, a polícia da Vila.

Na Vila não existem partidos políticos, eleições ou debates de qualquer natureza. Desde a época da Fundação, cabe exclusivamente aos Anciãos saber o que é certo fazer. Um Zelador (uma espécie de prefeito) é nomeado pelos Anciãos para a administração das tarefas rotineiras da cidade.

Os navios nunca retornam.

Todos na Vila têm que aceitar esta realidade. Ser escolhido para a tripulação de uma embarcação é o mesmo que receber uma sentença de morte.

A partida (e o sumiço dos galeões) são assuntos proibidos na Vila.

Em conversas de taberna e nos cochichos assustados em ruelas da Vila, especula-se que são as criaturas que vivem no Além-mar as culpadas pelo desaparecimento dos navios.

A criatura que habita o recanto mais sombrio da mente de cada cidadão da Vila tem um nome: Knuck.

Desde o bebê que mal compreende o mundo até o mais valente dos homens, todos têm a espinha dorsal de sua coragem quebrada ao meio por aquele nome.

Ninguém sabe qual a origem dos monstros, o que querem ou por que odeiam as pessoas da Vila com tanta intensidade. Como uma periodicidade imprevisível, os Knucks incursionam na Vila deixando um rastro de morte e destruição. Além disso, as criaturas hediondas têm o costume de sequestrar pessoas e levá-las em seus barcos para o Além-mar.

Para sobreviver à ameaça dos Knucks, a defesa da Vila é um assunto tratado muito a sério. Na orla do mar, ao longo da rua do Porto, foram erguidas uma série de torres de madeira encimadas por um ninho com material combustível, conhecidas como Faróis.

Ver um Farol aceso tem um único significado: os Knucks estão chegando.

Nestes casos, todos com mais de dezesseis anos devem se apresentar na rua do Porto para lutar.

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Arte do Knuck: Licínio de Souza Ribeiro

Arte: Kirk Parrish para a série Além-mar

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